Saída da Ford: Vice-presidente Mourão e Rodrigo Maia criticam decisão

O anúncio da montadora Ford de encerrar a produção de veículos no país causou reações na ala política. O vice-presidente Hamilton Mourão se disse surpreso com a decisão e acredita que a empresa, que atua há 100 anos no Brasil, poderia ter retardado a saída.

Saída da Ford: Vice-presidente Mourão e Rodrigo Maia criticam decisão
Saída da Ford: Vice-presidente Mourão e Rodrigo Maia criticam decisão. (Imagem: Reprodução Google)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), declarou que o encerramento da produção demonstra falta de credibilidade do governo federal.

Para Maia, o anúncio evidencia ausência de regras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional, que teve impacto sobre a produtividade.

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Ford anuncia fechamento de fábricas

Em comunicado na última segunda-feira (11), a empresa anunciou o fechamento de unidades em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE).

A justificativa se dirigia às perdas significativas no Brasil, intensificadas pela pandemia do novo coronavírus.

Para Mourão, a Ford ganhou muito dinheiro no Brasil e que o mercado consumidor aqui é maior, por isso se surpreendeu com a decisão.

O fechamento das linhas de manufaturas segue uma reestruturação dos negócios na América do Sul. A sede administrativa de São Paulo será mantida.

O centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP) também vão permanecer, segundo a montadora.

Rodrigo Maia espera que a decisão da Ford alerte o governo e o Parlamento sobre para a modernização do Estado e urgência na reforma tributária.

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O deputado defende a proposta de reforma de autoria do candidato apoiado por ele para a sucessão no comando da Mesa Diretora, Baleia Rossi (MDB-SP). Para Maia, o sistema tributário tornou-se um “manicômio” nos últimos anos.

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, respondeu ao presidente da Câmara. Em mensagem divulgada nas redes sociais ele disse que a Ford mundial fechou fábricas no mundo todo porque vai focar sua produção em SUVs e picapes, que são mais rentáveis.

Na quinta-feira (14), o Ministério Público do Trabalho abriu três inquéritos civis para apurar os impactos do encerramento das atividades da Ford no país.

As investigações vão acompanhar o cumprimento das questões trabalhistas e os efeitos para o mercado interno.

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.