Bolsonaro confirma demissão do presidente do Banco do Brasil; entenda a saída

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República confirmou o pedido de Bolsonaro para demitir o presidente do Banco do Brasil, André Brandão. A troca já era esperada, depois do anúncio de reestruturação da instituição financeira, com o fechamento de 200 agências.

Bolsonaro confirma demissão do presidente do Banco do Brasil; entenda a saída
Bolsonaro confirma demissão do presidente do Banco do Brasil; entenda a saída. (Imagem: Marcelo Camargo/ Ag. Brasil)

A solicitação do presidente foi endereçada ao Ministro da Economia, Paulo Guedes, na tarde de quinta-feira (14).

De acordo com o comunicado, Bolsonaro não teria ficado satisfeito com a decisão tomada por Brandão e pretendia adiar a reestruturação para depois das eleições da Câmara e do Senado.

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Banco do Brasil provoca instabilidade política

O banco informou que ainda não recebeu o pedido de demissão de André Brandão.

Guedes é contrário à saída dele e tenta reverter a situação, assim como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Para eles, a demissão pode ser entendida como interferência do poder executivo.

O BB anunciou um programa de demissão voluntária para 5 mil pessoas e o fechamento de 361 unidades, na segunda-feira (11).

A reorganização deve trazer uma economia líquida anual de R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025.

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Além das vantagens financeiras, os objetivos são trazer mais eficiência à rede de atendimento, viabilizar recursos para abertura das unidades de atendimento especializado e melhorar a experiência do cliente.

Depois do anúncio, os papéis do BB fecharam em queda de 4,94%, negociados a R$ 37,55.

Desde o início do governo, Bolsonaro tem se mostrado sensível às críticas de parlamentares e prefeitos sobre fechamento de agências. A pressão aumentou com o anúncio do BB. O presidente teria passado a receber telefonemas com reclamações e pedidos de audiência de políticos.

A Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos está programando convocar o presidente do BB para explicar o plano de reestruturação no Congresso.

Brandão assumiu a presidência do banco em setembro de 2020, ancorado por indicações da equipe econômica de governo.

Os principais planos à frente da estatal eram: prosseguir com a digitalização e aumentar a eficiência do banco. O gestor veio do HSBC, onde atuava desde 2003 como chefe global para as Américas.

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.