Eleições 2020: 39 cidades brasileiras terão liderança feminina na prefeitura do município

Em 39 cidades brasileiras, apenas candidatas mulheres disputam a prefeitura nas eleições 2020. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e representam 1% do total de municípios. Em contrapartida, o percentual das cidades que possuem apenas candidatos homens chega a 60%.

Eleições 2020: 39 cidades brasileiras terão liderança feminina na prefeitura do município
Eleições 2020: 39 cidades brasileiras terão liderança feminina na prefeitura do município. (Imagem: Google)

Em alguns locais há apenas uma candidata à prefeitura, como em Tenente Ananias, no Rio Grande do Norte e Jurema, no Piauí. As características em comum dos municípios apenas com mulheres na disputa são a região, em sua maioria no Nordeste, e a baixa quantidade de habitantes, com no máximo 45 mil eleitores (Camocim-CE).

Cidades com lideranças femininas nas eleições 2020

Outro levantamento mostra que apenas uma em cada 10 candidaturas para prefeituras nestas eleições é de mulher. O baixo número se repete na disputa para as Câmaras Municipais. Do total de candidaturas para o cargo de vereador, apenas 34% são de mulheres. Em 2019, uma minirreforma eleitoral estabeleceu cota mínima de 30% das vagas para candidatas.

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Para a professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Flávia Biroli, os estudos mostram que a sub-representação das mulheres está ligada ao próprio sistema político e seu domínio masculino, e não à falta de vontade de participar. Em relação aos locais em que há apenas candidatas mulheres, as hipóteses são um histórico de liderança feminina ou até baixo interesse dos partidos por esses municípios. Confira a distribuição entre os estados brasileiros.

  • Ceará – 5 cidades apenas com candidatas mulheres
  • Paraíba – 5 cidades
  • Maranhão – 4 cidades
  • Piauí – 4 cidades
  • Rio Grande do Norte – 4 municípios
  • Santa Catarina – 4 municípios
  • Pará – 2 cidades
  • Pernambuco – 2 cidades
  • Tocantins – 2 cidades
  • Paraná – 2 municípios
  • Goiás – 2 municípios
  • Rio Grande do Sul – 2 cidades
  • Alagoas – 1 cidade

A professora também lembrou que, no Brasil, as mulheres representam apenas 46% das pessoas filiadas a partidos políticos. Segundo ela, as cotas são importantes para garantir apoio, recursos e redes, pois entre o interesse em se envolver e o processo de se candidatar e conseguir se eleger há muitas questões. Segundo Flávia, a grande diferença entre os sexos representa um dos principais gargalos da política brasileira, que precisa ser superado nos próximos anos.

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.