Eleições 2020: Bolsonaro usa lema de direita para aproximar do eleitorado nordestino

Nas últimas eleições à presidência, em 2018, Jair Bolsonaro (sem partido) conseguiu apenas 30% dos votos dos eleitores. À época, o adversário era o Fernando Haddad (PT), do qual atingiu 67,7% dos votos no reduto que é considerado petista. Desde então, o atual presidente vem tentando ganhar o afeto do Nordeste; hoje, usando lema de direita para aproximar do eleitorado nordestino principalmente nas eleições 2020.

Eleições 2020: Bolsonaro usa lema de direita para aproximar do eleitorado nordestino (CAROLINA ANTUNES/PR)
Eleições 2020: Bolsonaro usa lema de direita para aproximar do eleitorado nordestino (CAROLINA ANTUNES/PR)

A cientista política, Luciana Santana escreveu um artigo ao portal UOL falando sobre o movimento do Bolsonaro para a conquista da região, ela explica que as investidas não são recentes, e que os acenos começaram ainda na campanha eleitoral de 2018.

Bolsonaro buscou se aproximar dos nordestinos fazendo uso de comportamentos simbólicos, como o ato de vestir o chapéu de cangaceiro à proposição de 13º salário a beneficiários do programa Bolsa Família.

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Ela lembra que havia uma expectativa de que o PT (Partido dos Trabalhadores) perdesse apoio na região durante a prisão do ex-presidente Lula, usando a campanha contra a corrupção – principalmente nas redes sociais. Mas nada foi o suficiente para melhorar o desempenho eleitoral na região. Bolsonaro viu Fernando Haddad (PT) ganhar a maioria dos votos da base eleitoral fiel à Lula.

Luciana Amaral ainda falou sobre a região nordeste nem sempre ter tido preferência pelo PT, apesar da associação forte entre o PT, Lula e a Região Nordeste.

“A preferência do eleitorado nordestino pelos candidatos petistas cresceu ao longo dos pleitos eleitorais. Na eleição de 2002, quando Lula venceu a disputa eleitoral, apenas 25% dos votos obtidos pelo PT se concentrou na Região Nordeste. Esse percentual subiu para 33% nas eleições de 2006 e 2010, e alcançou 37% em 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff (PT). Fernando Haddad deu ao PT sua votação mais expressiva até então, 43%”, escreveu.

Renda Cidadã como aliada

A aposta do Bolsonaro será o programa Renda Cidadã, em substituição ao atual Bolsa Família. Mas a cientista política afirma que é preciso aguardar os desdobramentos. Ela faz questionamentos sobre o porquê do Bolsonaro investir na região diante do cenário de benefício.

Nesse sentido de investimento de transferência de renda sendo usada como ponte para chamar a atenção dos eleitores, ela recorda que o caminho para uma reeleição é longo.

“Ele precisa de um partido, apoio político no âmbito do legislativo que garanta sua governabilidade até o final do mandato e ampliar sua base de apoio em redutos que foram avessos a ele na última eleição”.

Luciana diz que Nordeste é um campo com possibilidade ampliar a base de apoio, inclusive porque a região concentra praticamente um terço dos parlamentares do Congresso Nacional. Esse cenário contribui para que Bolsonaro possa apoiar aliados na disputa pelos governos estaduais em 2022, visando ocupar espaços que são de predominância da esquerda.

Apoio em campanhas nas eleições 2020

Em junho, Bolsonaro dizia não ter intenção de apoiar candidatos nas eleições às prefeituras. Ontem, 1º de outubro, ele declarou abertamente que as pessoas precisam “caprichar” na escolha dos candidatos, e que eles devem ser comprometidos com Deus e com o patriotismo, direcionando as escolhas do eleitorado com lema atribuído à direita.

O discurso foi realizado durante inauguração de uma adutora em São José do Egito, Pernambuco.
Segundo o UOL, o presidente aproveitou a cerimônia para prestigiar políticos locais.

Jornalista graduada pela FAPCOM (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação). Foi repórter do site MigraMundo e Startupi, atuou na comunicação de ONG e em assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como jornalista freelancer e redatora do Jornal O Norte.