PT, PCdoB, PSB e PDT se unem para não apoiar candidatos de Bolsonaro na Câmara

Partidos de esquerda e centro esquerda se uniram para que as bancadas não declarem apoio a candidatos à presidência da Câmara dos Deputados apoiados por Bolsonaro. PCdoB, PSB e PDT já tinham sinalizado contrariedade a candidatos apoiados pelo presidente. Nesta quinta-feira (17), o PT se uniu ao grupo.

PT, PCdoB, PSB e PDT se unem para não apoiar nenhum candidato de Bolsonaro na Câmara
PT, PCdoB, PSB e PDT se unem para não apoiar nenhum candidato de Bolsonaro na Câmara. (Imagem: Saulo Cruz / Câmara dos Deputados)

A eleição para presidente da Câmara está prevista para fevereiro do ano que vem, e, por enquanto, tem duas candidaturas: Arthur Lira (PP-AL) e Luciano Bivar (PSL-PE).

Lira é um dos principais articuladores do “centrão” e aliado do presidente Bolsonaro. Ele será o principal adversário do nome a ser escolhido pelo grupo político de Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Casa.

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Articulações para eleições na Câmara dos Deputados

Por enquanto, Maia tem mantido conversas com partidos de esquerda buscando apoio ao nome de seu grupo, que ainda não foi definido. O PT ainda não decidiu se vai apoiar uma candidatura de esquerda ou do grupo político de Maia. O partido tem a maior bancada da Casa, com 54 deputados.

A decisão dos partidos citados de não apoiar nenhuma candidatura defendida pelo Planalto foi unânime. A ideia de alguns parlamentares de esquerda é se unir ao bloco de centro, liderado por Maia, e garantir uma oposição fortalecida para derrotar Bolsonaro.

Na avaliação de alguns deputados, a união com o centro é essencial para a derrota de Lira, que já tem o apoio de nove partidos: PL, PP, Republicanos, PSD, Solidariedade, Avante, PROS, Patriota e PSC. As siglas somam 191 parlamentares na Câmara.

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O PSOL também participou da reunião entre os partidos de esquerda, realizada na quinta-feira (17), em que a eleição foi discutida. Mas o partido já havia definido que não apoiará nenhum candidato do Executivo e que pretende lançar um nome próprio.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) disse que o veto à candidatura de Lira é consenso na bancada do Psol e que a tradição de lançar candidato próprio, para marcar posição política, está mantida.

 

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.