Bolsonaro desabafa sobre possível impeachment: ‘Não vão me tirar’

O presidente Jair Bolsonaro comentou sobre um possível processo de impeachment. O assunto veio à tona novamente na semana passada, com o colapso na saúde do Amazonas. O chefe do executivo se defendeu, dizendo que não dá motivos para a medida.

Bolsonaro desabafa sobre possível impeachment: 'Não vão me tirar'
Bolsonaro desabafa sobre possível impeachment: ‘Não vão me tirar’. (Imagem: Marcello Casal Jr/ Ag. Brasil)

De acordo com a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, 61 pedidos de impeachment já foram protocolados desde fevereiro de 2019. Quatro deles foram arquivados e os outros estão sob análise.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, considera o assunto “inevitável” no futuro, mas passa a responsabilidade a seu sucessor.

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Bolsonaro defende-se de possível impeachment

Nas declarações, o presidente também reclamou do Supremo Tribunal Federal (STF). O mesmo conferiu a governadores e prefeitos o poder de decidir sobre políticas de enfrentamento à pandemia, como isolamento social e fechamento de comércios.

Bolsonaro afirma que não existe nada de concreto contra ele e que os processos de impeachment não valem nada.

“Querer inventar uma fake news, uma narrativa para me tirar daqui. Qual moral tem o João Doria e o Rodrigo Maia para falar de impeachment ou me acusar?”, declarou, em entrevista ao Datena.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu que o tema será inevitavelmente discutido pelo Congresso em algum momento.

Ele defendeu que o foco agora seja na pandemia, em salvar o maior número de vidas, mesmo sabendo que há uma desorganização no Ministério da Saúde.

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Na sexta-feira, a hashtag “#ImpeachmentBolsonaroUrgente” foi a mais comentada do Twitter. O problema no sistema de saúde do Amazonas também esteve entre os dez assuntos mais comentados na rede. Um panelaço foi organizado para as 20h30 e teve adesão em diversas cidades do país.

Alguns políticos se posicionaram em relação ao assunto. O ex-governador do Ceará e candidato à Presidência da República em 2018, Ciro Gomes (PDT), classificou o presidente como “genocida” e criticou a postura de “insistir em indicar medicamentos sem eficácia comprovada”.

O líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), também foi adepto da hashtag. A deputada federal Tabata Amaral (PDT) também se manifestou a favor da ação, assim como o ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato à presidência, Fernando Haddad (PT).

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.