Eleições 2020 validam o crescimento dos partidos de centro e direita e o encolhimento do PT

O segundo turno das eleições 2020 confirmou o recuo de grandes partidos políticos do país. Enquanto a esquerda perdeu parte significativa de executivos municipais, siglas de centro e direita cresceram em capitais e cidades médias e grandes na comparação com 2016.

Eleições 2020 validam o crescimento dos partidos de centro e direita e o encolhimento do PT
Eleições 2020 validam o crescimento dos partidos de centro e direita e o encolhimento do PT (Imagem: Reprodução / Google)

Os principais perdedores foram PT, MDB e PSDB. Os tucanos ainda conseguiram manter o governo de São Paulo, mas estão limitados à capital paulista.

O MDB vai governar o segundo maior número de habitantes e o maior número de prefeituras, em cinco capitais, mas recuou em 25% em relação a 2016. O PT ficou sem nenhuma prefeitura de capital em 2020.

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Crescimento de partidos de centro e direita nas eleições

Siglas como DEM, PP, PSD e Republicanos aumentaram significativamente o número de prefeituras conquistadas nestas eleições, em comparação com o último pleito municipal. O DEM conquistou quatro capitais e aumentou em 70% o número de prefeituras, chegando a 466. A sigla é liderada por Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA) e tem mais força no Centro-Oeste e no Sudeste.

O PP registrou a segunda maior vitória em números absolutos e chegou a 685 prefeituras. O partido tem mais força no Sul e no Nordeste.

O PSD também se destacou com o número de 655 prefeituras, principalmente no Sul, no Nordeste e no Norte. Já o Republicanos, ex-PRB, perdeu o comando do Rio de Janeiro, mas dobrou o número de municípios governados para 221.

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Os partidos são do chamado “centrão”, bloco informal na Câmara dos Deputados que reúne parlamentares de legendas conservadoras. Geralmente são conhecidos por se aliarem a diferentes governos. Os partidos de centro integraram a base de apoio no Congresso dos últimos três presidentes.

Reprovação bolsonarista

Outro destaque das eleições foi o fracasso do presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral. O político não conseguiu eleger os candidatos que apoiou e perdeu em uma das principais cidades do país, o Rio de Janeiro. Além disso, seu filho, Carlos Bolsonaro, teve menos votos para vereador do que em 2016.

O PT buscava uma recuperação no segundo turno, mantendo candidatos em grandes cidades, mas venceu em apenas quatro de um total de 15. Todas no Sudeste: Contagem (MG), Diadema (SP), Juiz de Fora (MG) e Mauá (SP).

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.