Em carta, governadores pressionam Bolsonaro para negociação das vacinas da China

Quinze governadores enviaram uma carta a Jair Bolsonaro, pedindo que dialogue com a China e Índia para garantir a produção de vacinas no país. No documento, protocolado pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), na quarta-feira (20), eles pedem que a diplomacia seja acionada.

Em carta, governadores pressionam Bolsonaro para negociação das vacinas da China
Em carta, governadores pressionam Bolsonaro para negociação das vacinas da China. (Imagem: Divulgação Gov.br)

Os países produtores de vacina contra a Covid-19 precisam entregar o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) para a continuidade da imunização no Brasil. Com o ingrediente, institutos como Butantan e a Fiocruz podem produzir mais doses do imunizante.

Carta pede agilidade para vacinas

Os gestores solicitam um diálogo diplomático com os governos dos países provedores dos referidos insumos. Além disso, citam a vacina Sputnik V, produzida na Rússia, e dizem esperar a aprovação para uso emergencial, com mais uma opção para o país.

Leia mais: Em meio a pressão, Bolsonaro fala sobre impeachment e candidatura em 2022

O governador do Piauí espera conseguir o apoio de autoridades de outras instâncias com a carta, como Congresso Nacional, Poder Judiciário e ex-presidentes do Brasil. Com a pressão, o governo federal pediu que líderes governistas busquem medidas para evitar a interrupção da vacinação.

Após a aprovação de uso emergencial pela Anvisa, o Brasil tinha apenas 6 milhões de doses de vacina contra Covid-19 autorizadas para uso em seu território, todas da CoronaVac. A população atual é de mais de 200 milhões de habitantes.

Outros dois milhões de vacinas estavam previstas para chegar da Índia, mas quando foram barradas pelo governo do país. Também não há previsão da chegada de insumos da China, o que afeta tanto as doses do Instituto Butantan quanto da Fiocruz.

Leia mais: Flávio Bolsonaro diz que não tomará vacina contra Covid-19 e explica motivo

Assessores presidenciais supõem que o Brasil pode ficar de 30 a 40 dias sem vacina, caso o envio de insumos e os entraves não sejam resolvidos.

Os governadores que assinaram a carta foram: Renan Filho (MDB-AL); Waldez Góes (PDT-AP); Camilo Santana (PT-CE); Renato Casagrande (PSB-ES); Flávio Dino (PCdoB-MA); Mauro Mendes (DEM-MT); Romeu Zema (Novo-MG); Helder Barbalho (MDB-PA); João Azevêdo (Cidadania-PB).

Além destes, Paulo Câmara (PSB-PE); Fátima Bezerra (PT-RN); Eduardo Leite (PSDB-RS); João Doria (PSDB-SP) e Belivaldo Chagas (PSD-SE).

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.