Grupos religiosos pedem impeachment de Bolsonaro por ‘desprezo’ à pandemia

Mais um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi protocolado na Câmara dos Deputados. O documento é uma iniciativa de entidades religiosas católicas e evangélicas que acusam o líder de negligência em relação às medidas de prevenção ao novo coronavírus.

Grupos religiosos pedem impeachment de Bolsonaro por 'desprezo' à pandemia
Grupos religiosos pedem impeachment de Bolsonaro por ‘desprezo’ à pandemia. (Imagem: Alan Santos /PR)

O pedido foi entregue nesta terça-feira (26) e é o 63º apresentado à Mesa da Câmara.

Todos os outros foram engavetados ou seguem em análise, mas não foram colocados em votação. Os religiosos também denunciam o presidente por crime de responsabilidade pelo “não acesso à vacina”.

Leia mais: Governo Bolsonaro gastou R$ 15 mi com leite condensado em um ano; veja outros gastos

Pedido de impeachment aumenta pressão no Congresso

Entre as entidades que assinaram o documento estão a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e Movimento Social Religioso do Distrito Federal.

O texto diz que é dever de cristãos e cristãs participar da luta pela defesa dos direitos humanos.

No total, o documento é assinado por 380 pessoas, entre bispos, pastores, padres e frades de igrejas cristãs, sendo católicas, anglicanas, luteranas, presbiterianas, batistas e metodistas, além de 17 movimentos cristãos.

Os autores também citam o colapso na saúde do Amazonas, dizendo que o “sufoco” do estado é o “sufoco de todo o país”.

Enquanto candidato, Bolsonaro conseguiu apoio de entidades cristãs para e criar base no Congresso Nacional. Porém, ao longo do mandato, teve algumas divergências com o grupo.

Leia mais: Confira o resultado da pesquisa Datafolha sobre impeachment de Bolsonaro

Os primeiros pontos de atrito foram em relação a posse e porte de armas de fogo. A queda de ministros e conflitos com parlamentares do centrão e da base aumentaram as fissuras. A ação do Ministério da Saúde durante a pandemia fez com que religiosos se unissem à oposição contra o presidente.

Segundo a pastora Romi Márcia Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, afirma que tem consciência de que nem todos os fiéis são favoráveis a esse ato, mas que também é importante destacar a pluralidade e as contradições que existem no cristianismo.

A abertura de um processo de impeachment depende do presidente da Câmara. Rodrigo Maia (DEM-RJ) deixará o cargo na próxima semana, com as eleições para a Casa marcadas para 1º de fevereiro.

Mônica Chagas Ferreira é mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como pesquisadora, estuda Análise do Discurso na perspectiva foucaultiana, contemplando relações de saber, poder e política presentes na mídia. Enquanto jornalista, já atuou em rádios e veículos impressos. Atualmente trabalha como assessora de comunicação e redatora do Jornal O Norte.