MEC defende retorno IMEDIATO das aulas presenciais; entenda a decisão

Em audiência realizada pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de combate à Covid-19 nesta quinta-feira (17), representantes do MEC (Ministério da Educação), de entidades ligadas à educação e especialistas na área da saúde defenderam o retorno imediato das aulas presenciais sem que haja imunização da comunidade escolar com a vacina.

MEC defende retorno IMEDIATO das aulas presenciais; entenda a decisão (Imagem: Sérgio Lima/Poder360)
MEC defende retorno IMEDIATO das aulas presenciais; entenda a decisão (Imagem: Sérgio Lima/Poder360)

Entre protocolos de volta às aulas e discussões sobre riscos de contaminação por parte de alunos, pais e quadro escolar, os representantes defendem o retorno das aulas sendo ministradas presencialmente. De revezamento de grupos de alunos à consideração de escola como serviço essencial para que não haja interrupção.

O interesse da maioria presente na reunião é que os alunos tenham a possibilidade de estudar nas escolas, mesmo que ainda não haja vacina para que todos os alunos, professores e funcionários sejam vacinados.

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De acordo com matéria sobre a reunião publicada pelo Folha de Pernambuco, a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Izabel Lima Pessoa, disse que a pasta está auxiliando as escolas para o retorno seguro com guias e repasse de recursos para compra de materiais de higiene.

“Queremos o retorno imediato e seguro das atividades presenciais. O Brasil está entre os países que ficaram com escolas fechadas por mais tempo. Isso vai ter um impacto forte, principalmente na evasão. Estamos trabalhando para que não haja um forte abandono em 2021”, defendeu.

Especialistas na área da saúde que participaram da audiência afirmaram que a volta às aulas é possível porque há evidências de que as crianças se infectam de duas a cinco vezes menos que os adultos.

“Nós sabemos que são raras as complicações em crianças. Elas são mais assintomáticas e transmitem ainda menos. Com as medidas de prevenção, a escola é segura para alunos, professores, funcionários e familiares”, afirmou a Luciana Becker Mau, infectologista pediátrica e representante do Ciência pela Escola.

Já o presidente do Departamento de Infectologia da SPB (Sociedade Brasileira de Pediatria) disse que estudos apontam que professores possuem o mesmo risco de infecção pelo novo coronavírus que profissionais de áreas diferentes.

Espera pela vacina

O pensamento do presidente da Undime (União de Dirigentes Municipais da Educação), Luiz Miguel Martins Garcia, foi destoante dos demais. Ele explica que é preciso esperar a vacinação dos professores e que deve-se ter mais dados para a construção do processo de volta.

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Posicionamento do MEC

Os interesses dos representantes divergem do posicionamento do ministro da Educação sobre o retorno. Milton Ribeiro homologou autorização para que as aulas remotas na educação básica e superior permaneçam enquanto as condições sanitárias apresentarem riscos à saúde em resolução do CNE (Conselho Nacional de Educação).

A resolução do CNE é a mais importante do país no assunto, uma vez que orienta as gestões das escolas e universidades públicas e particulares. A reportagem da Folha mostrou que o documento foi aprovado em outubro e, desde então, aguardava homologação do ministro.

Jornalista graduada pela FAPCOM (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação). Foi repórter do site MigraMundo e Startupi, atuou na comunicação de ONG e em assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como jornalista freelancer e redatora do Jornal O Norte.